KPI que ninguém usa é só custo: como escolher o indicador certo
Já entrei em muita empresa que tinha orgulho de um dashboard com trinta indicadores. Gráfico para todo lado, cores, medidores, um negócio impressionante de olhar. Aí eu faço uma pergunta simples: qual desses você olhou esta semana para tomar uma decisão? Normalmente a resposta é um ou dois. Os outros vinte e oito são enfeite — e enfeite que deu trabalho para construir e dá trabalho para manter. Ou seja: custo.
Indicador não vale pela quantidade. Vale por uma coisa só: ele mudou alguma decisão? Se a resposta é não, ele não é um indicador, é um adorno de parede.
A pergunta que separa o joio do trigo
Antes de colocar qualquer número num painel, vale fazer o teste: se esse número der um valor ruim, o que eu faço diferente? Se você tem uma resposta clara — "se a margem do canal cair abaixo de X, eu corto a verba de anúncio dali" — então é um indicador de verdade. Se a resposta é "sei lá, é bom acompanhar", é enfeite.
Bom acompanhar é a desculpa mais cara do mundo dos dados. Quase tudo é "bom acompanhar". A questão nunca é se é bom acompanhar; é se você vai fazer algo diferente por causa daquilo. Indicador que não muda ação é peso morto.
Por que menos é mais aqui
Um painel com cinco indicadores que mudam decisão é infinitamente mais útil do que um com trinta que ninguém usa. E não é só porque enche menos a tela. É porque cada indicador a mais divide a atenção. Quando tudo é importante, nada é. A pessoa abre o painel, se perde no meio dos trinta gráficos, e acaba não olhando nenhum com atenção — voltando, adivinha, para o achismo.
É como um painel de carro. Ele te mostra velocidade, combustível e temperatura — as três coisas que mudam o que você faz ao dirigir. Imagina se ele mostrasse quarenta medidores. Você não dirigiria melhor; dirigiria pior, porque não conseguiria achar os três que importam no meio do resto.
Comece pela pergunta, não pelo gráfico
O jeito certo de montar um painel não é escolher gráficos bonitos. É listar as perguntas de negócio que tiram o seu sono — "estou ganhando ou perdendo em cada canal?", "que produto está segurando a margem?" — e trazer só os números que respondem a essas perguntas. O gráfico é a última etapa, não a primeira. Quem começa pelo gráfico enche a tela; quem começa pela pergunta enche a tela do que importa.
Se o seu dashboard tem muito indicador e pouca decisão saindo dele, provavelmente sobrou enfeite e faltou pergunta. A gente ajuda a desenhar o painel a partir do que realmente muda a sua ação.